Transpiração animal X Transpiração vegetal • Zoologia X Botânica

Oi biologuínhos, tudo certo? Esperamos muito que sim! Chegou o final do mês e, com ele, mais um post da nossa coluna Zoologia X Botânica. Hoje falaremos sobre um assunto que vemos (e vivenciamos) muito como animais, mas que, muitas vezes, em vegetais é mais difícil de enxergar e compreender (e assimilar que elas também realizam o processo): a transpiração.


Bom, em animais, mais precisamente em humanos, é comum que em situações de muito calor ou de exercício físico seja percebido o suor: forma que o corpo encontra de regular sua temperatura pela evaporação dessa água que é liberada pela pele. Mas será que nas plantas também é assim?


Bom, sabemos que a percepção de calor e frio é dada pelo nosso Sistema Nervoso, então desse ponto de vista (e do ponto de vista de exercício físico), sabemos que a planta acaba ficando de fora. Porém, temos que cerca de 99% da totalidade de água que uma planta absorve por suas raízes é perdida por meio da transpiração que, por sua vez, ocorre via estômato (que já conversamos no post sobre anexos epidérmicos!).


Temos uma relação bem simples quando buscamos entender a transpiração e o motivo pelo qual a mesma perde tanta água: a planta necessita de dióxido de carbono (CO2) para realizar a fotossíntese (processo vital para esse ser) e o mesmo é obtido a partir do estômato - quando o este se abre, entra dióxido de carbono e, consequentemente, sai água. Você certamente deve estar se perguntando: “mas perder tanta água assim não prejudica a planta?” e a resposta é NÃO!


Os vegetais são tão incríveis que, até mesmo esse fato de perda de água que poderia ser visto como algo negativo, elas adaptaram: a perda de água garante o fluxo de água pelo xilema. Imaginem o xilema como um canudo em que quanto mais é sugado (via estômato, pela transpiração), mais desloca líquido de baixo para cima (da raiz para a parte aérea). Obviamente, esse processo é prejudicial em casos que a planta está sob um estresse hídrico por falta de água, pois a partir do momento que a taxa de transpiração é maior do que a taxa que a planta consegue repor de água, temos que o vegetal fica desidratado.

Por fim, essa transpiração em vegetais é influenciada principalmente por 2 fatores, sendo ele a temperatura e a umidade: o aumento de temperatura causa um aumento da transpiração, enquanto que o aumento de umidade causa uma queda da transpiração. Essa relação de influência desses fatores ambientais sob o organismo também é vista em animais, tendo em vista que quando estamos sob grandes temperaturas também tendemos a eliminar mais água pela transpiração, tal como a relação da umidade também pode ser vista.


Agora que vimos que a transpiração dos vegetais tem objetivos completamente diferentes da mais familiar para nós, vamos conceituar a nossa! Na transpiração que nós fazemos, como já vimos ali em cima, nós eliminamos água com alguns íons e outras moléculas com o objetivo de perder calor para o ambiente, assim permitindo que nosso corpo resfrie e mantenha a temperatura constante. Nosso corpo pode perder calor de diversas formas, essa é só mais uma delas e se dá por evaporação.


Nós temos glândulas especializadas para a produção do suor, sendo estas as glândulas sudoríparas, responsáveis pela secreção deste. O suor sair do nosso corpo, quentinho e, ao entrar em contato com o ar, perde o calor pra ele, por isso temos uma sensação de refrescância quando estamos suados e está ventando. Em nós, humanos, isso ocorre em quase todo o epitélio, mas e nos outros animais? Vocês já repararam se cachorros transpiram? Sim, eles transpiram! Eles fazem isso pelas patinhas, pelos seus coxins (almofadinhas), só que isso ocorre muuuito pouca quantidade, por isso é muito difícil notar. Além das patas, em dias quentes eles ofegantes e de boca aberta para perder calor, expulsando o ar quente através da respiração.


Mas vocês sabem por que nós precisamos regular nossa temperatura? Nosso calor corporal vem do nosso metabolismo celular. Nossas células, ao realizarem as reações necessárias para se manterem vivas, produzem calor exotérmico, ou seja, que não é mantido dentro destas (a energia é liberada em forma de calor). Portando, quanto maior a atividade metabólica, maior a produção de calor, explicando assim o porquê de ficarmos quentes e suando quando fazemos exercícios físicos. Se nosso corpo não perder só acumulasse esse calor que é gerado, aumentando a temperatura corporal, nós poderíamos perder nossas proteínas e nossas enzimas, pois elas são desnaturadas (perdem a forma e função) quando submetidas a altas temperaturas, sendo que estas são essenciais para o funcionamento do nosso corpo. Por isso também que dizem que febres muito altas são perigosíssimas.


O nosso suor, além de ser um mecanismo de regulação térmica, também auxilia na eliminação de produtos tóxicos do nosso corpo, inclusive ureia, amônia e alguns íons, como o sódio (que o deixa meio salgado), portanto sua composição acaba sendo parecida com a do nosso xixi! Isso explica o porquê do suor ter um cheirinho não tão agradável, né?

Com isso, podemos ver que apesar de terem nomes iguais e envolverem a perda de água para o meio, esses processos em nesses grupos de seres vivos são MUITO diferentes. Os dois tipos de transpiração são importantíssimos para seus respectivos grupos e são adaptações incríveis que a evolução proporcionou. Esperamos que vocês tenham gostado!


Por hoje é só, biologuínhos! Até o mês que vem <3


Isabella Aparecida Fonseca Bertoleti Estudante de Ciências Biológicas (Licenciatura) Colunista de Botânica (ZOOLOGIA X BOTÂNICA)

Barbara Mariah Chagas Teberga Estudante de Ciências Biológicas (Licenciatura) Colunista de Zoologia (ZOOLOGIA X BOTÂNICA)

Referências:

Taiz, L.; Zeiger, E. Fisiologia vegetal. 5. ed., Artmed, 2013. 918 p.

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