Tecidos vasculares em vegetais • Zoologia X Botânica

Atualizado: Ago 12

Oi biologuínhos, tudo certo?! Voltamos com nossa coluna Zoologia X Botânica e hoje vamos falar sobre Tecido Vascular. Quando falamos em animais, até mesmo remetendo à nossa espécie, temos sempre a ideia que nossa vascularização ocorre por meio de veias, artérias e capilares. Mas e quanto as plantas? Será que elas possuem algum tipo de tecido semelhante?


Bom, antes de realmente começarmos a falar sobre tecidos vasculares, temos que entender o que é isso. De forma simples, tecido vascular pode ser definido como formado por vasos, os quais transportam algum tipo de líquido/substância.


E respondendo nossa pergunta inicial: sim, as plantas apresentam tecido vascular! Mas, ao longo desse post e o da Barbara vocês conseguirão observar que entre as plantas e os animais temos muitas diferenças, mesmo que a função seja a mesma: transporte de substâncias à médias e longas distâncias.


Antes de entendermos os vasos condutores ou tecidos vasculares das plantas, temos que compreender em que momento os mesmos aparecem. Em botânica, resumidamente, temos 4 grupos: Briófitas, Pteridófitas, Gimnospermas e Angiospermas. As briófitas não apresentam esses tecidos condutores, as substâncias são transportadas de célula em célula, sendo um processo mais demorado e limitando o tamanho da planta. Os outros 3 grupos já foram contemplados evolutivamente com os vasos condutores.


As plantas apresentam dois vasos condutores, que são falados geralmente em nosso Ensino Médio e, também, na faculdade: xilema e floema. Começaremos falando sobre algo que muitas vezes somos induzidos a errar: tanto o xilema quanto o floema transportam a mesma seiva- a diferença é a concentração de cada substância na seiva de cada vaso condutor. Por exemplo, o floema é muito conhecido por transportar a “seiva elaborada/orgânica” e basicamente isso se dá porque nele temos uma maior concentração de açucares que são produzidos na fotossíntese. Em contrapartida temos o xilema, que apresenta uma concentração muito maior de água e sais minerais, configurando a “seiva bruta/inorgânica”. É importante ressaltar que na seiva do xilema também temos açucares, porém em menor concentração, assim como na do floema temos água e sais minerais, mas, novamente, em menor concentração.


Agora sobre a direção do transporte: outro erro muito comum quando falamos de botânica. Muitas vezes, somos ensinados que o xilema transporta a seiva inorgânica da raiz para a parte aérea da planta, enquanto que o floema transporta da parte aérea para a raiz- e nesse momento que nosso erro aparece. De fato, o xilema tem um movimento ascendente, isto é, estamos corretos ao falar que a seiva dele sobe. Porém, quando falamos em floema temos que apagar tudo que já nos foi falado e guardar que o floema tem um movimento multidirecional, ou seja, pode sair de qualquer parte da planta e se dirigir a qualquer parte também- mas não tão aleatoriamente assim. Costumamos falar que a seiva do floema é transportada da “fonte” (local de produção de açucares) para o “dreno” (local que vai usar esse açúcar ou armazena-lo).


Já falamos do que é transportado e qual a direção, agora nos resta falar da constituição dos vasos condutores vegetais. Começando, mais uma vez, pelo xilema temos muitos pontos interessantes a serem comentados. O primeiro, e mais curioso, é que o xilema é formado por células mortas! Os tipos celulares que constituem esse tecido vascular da planta são os traqueídes e os elementos de vaso.




Os traqueídes são células bem finas e pequenas que apresentam poros em suas extremidades e laterais. Já os elementos de vaso são mais longos, também apresentam essa característica de poros para que a seiva possa entrar e sair do xilema e, como adicional, tem as extremidades com as paredes perfuradas (isso mesmo, não são pequenos furinhos, são grandes perfurações que fazem com que não haja isolamento entre uma célula e outra).


Agora quando falamos de floema, temos uma outra realidade: um tecido formado por células vivas. As principais células que formam esse tecido são as chamadas “células crivadas” que apresentam poros e não tem núcleo! Você com certeza deve estar surpreso nesse momento, né?! Como pode uma célula vegetal, que é eucarionte, não apresentar núcleo? Onde está o material genético? Basicamente, essa célula realmente não tem núcleo e, quando digo isso, não quero que você pense que o material genético está disperso pelo citoplasma, e sim que ela não apresenta o tal material genético: para controlar seu metabolismo ela vem acompanhada de uma célula companheira que apresenta material genético e cuida da célula crivada.


Então por hoje é só, mas não se esqueçam que daqui alguns dias estaremos de volta para mais um post para vocês. Continuem se cuidando e até a próxima <3

Isabella Aparecida Fonseca Bertoleti Estudante de Ciências Biológicas (Licenciatura) Colunista de Botânica (ZOOLOGIA X BOTÂNICA)

REFERÊNCIA:

RAVEN, P.H.; EVERT, R.F.; EICHHORN, S.E. Biologia Vegetal, 7.Ed., Guanabara-Koogan, 2007.

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