Hormônios • Zoologia X Botânica

Oi biologuínhos, tudo certo por aí?! Esperamos muitíssimo que sim! Voltamos para mais um post da nossa querida coluna Zoologia X Botânica. Nem dá para acreditar que estamos há 6 meses trazendo esses conteúdos incríveis para vocês!! Só temos que agradecer pelo apoio e por acompanharem tanto.


Dessa vez vamos ter um post dois em um! Vamos falar sobre hormônios vegetais e animais em um post só, já que os hormônios animais são conhecidos, já que também somos animais. Aposto que, vocês mais uma vez, devem estar desprezando as plantinhas e pensando “mas planta tem hormônio????”, a resposta é CLARO QUE SIM! As plantas, assim como animais, produzem hormônios que, basicamente, podemos definir como uma substância orgânica que é sintetizada em tecidos específicos e que atua em concentrações extremamente baixas, isso quer dizer que, por incrível que pareça, uma micro gotinha de hormônio já provoca respostas incríveis.


Os hormônios são sinalizadores celulares, ou seja, a função deles é levar informações de um lugar pro outro. Cada hormônio avisa sobre algo diferente, atuando em lugares específicos. O mecanismo de ação do hormônio em uma planta é o mesmo de um animal: ocorre a ligação do hormônio com o receptor, promovendo uma série de reações em cascata que amplificam o sinal da substância por toda a célula, até que a resposta seja realizada. A velocidade da resposta vai depender do tipo de hormônio e de onde ele vai atuar.


Existem os hormônios feitos de proteínas, os hormônios peptídicos, que se ligam aos receptores na membrana celular e já dão origem às reações em cascata, sua ação inicia mais rápido, porém é curta, como a adrenalina, que é liberada em situações em que o corpo precisa de energia imediata ou os hormônios que sinalizam que as plantas estão passando por estresse hídrico e precisam que os estômatos sejam fechados rapidamente. Outro tipo de hormônio é os que são feitos de lipídeos, chamados de esteroides, que consegue atravessar a membrana celular e, por isso, demoram um pouquinho mais pra conseguir iniciar, mas têm uma ação mais duradoura, como os que atual no florescimento vegetal ou o cortisol, um hormônio que é liberado aos pouquinhos quando passamos por estresses de longo prazo. E, além desses, também existem hormônios formados derivados de aminoácidos, as aminas, alguns até conseguem atravessar membranas por serem pequenininhos.


Quando falamos em animais, por sermos parte desse Reino, já sabemos alguns nomes de hormônios, certo?! Mas em plantas parece um pouco mais distante de nós, desde o nome até o local de produção e o que promove no ser vivo. Então hoje vamos falar primeiro, rapidamente, para vocês os 5 principais grupos de hormônios existentes entre os vegetais.

Começaremos pelo Etileno, o hormônio que mais conseguimos aplicar em nosso cotidiano. Sabe quando você deixa uma fruta dentro do saquinho de plástico do supermercado e ela amadurece mais rápido?! Ou quando a fruta está na fruteira e começam a aparecer aqueles mosquitinhos?! Ambos casos são completamente influenciados pelo etileno! O grupo dos etilenos promove o amadurecimento de frutos e senescência da planta (envelhecimento). No primeiro caso, a fruta amadurece mais rápido pois o hormônio (que sai em forma de gás) não é dissipado no ar, ele fica circulando ali dentro do saco e agindo na mesma fruta. Já no segundo caso, os mosquitinhos foram atraídos pelo gás do hormônio. Ele é produzido e age principalmente nas folhas adultas e nos frutos.


Nosso segundo grupo hormonal é o Ácido Abscísico: sendo conhecido como um sinalizador de estresse para planta (por exemplo, em situações de seca ele promove o fechamento de estômatos das plantas para que seja evitada a perda de água). Você já parou para pensar o porquê uma semente de melancia não se desenvolve dentro da própria fruta? Afinal, ali tem tudo que ela precisa: água e nutrientes. Basicamente, isso só não acontece graças à esse grupo hormonal que é produzido, principalmente, na raiz, folha adulta, fruto e semente.

Citocinina é o nosso grupo hormonal da vez. Ele promove o retardamento da senescência da folha (como se fosse uma gotinha da juventude para a planta). É muuuuito utilizado de forma pulverizada para quebrar a dominância apical das plantas sem precisar podar a mesma, logo as gemas laterais agradecem e conseguem se desenvolver plenamente. Esse grupo hormonal é produzido, principalmente, na raiz das plantas.


Agora falaremos do grupo das Giberilinas: atuam tanto no crescimento das plantas (juntamente com as Auxinas que veremos em seguida), quanto na germinação de sementes. É produzido, principalmente, na folha jovem, no caule jovem, no meristema e na semente (observe que sempre é produzido em locais que irão crescer).


Por fim, o último grupo hormonal que falaremos é a Auxina. Podemos definir esse grupo como o hormônio de crescimento da planta! Inclusive, é ele que promove a tal dominância apical (que basicamente é quando a planta só cresce para cima, e as laterais não conseguem se desenvolver). Produzido, principalmente, na folha jovem, flor (já que também atua no desenvolvimento do fruto) e semente.


Sobre os animais aposto que vocês ouviram falar de muitas coisas sobre hormônios, principalmente sobre os nossos. Os hormônios animais são produzidos e secretados por glândulas específicas, nós temos a hipófise, a supra-renal, a tireoide, as gônadas e o pâncreas. Eles sinalizam e controlam tudo em nós, por exemplo, qual vai ser o tipo de macromolécula que vai ser utilizada como energia, dependendo também de fatores externos, como a alimentação e nossas atividades físicas.


Um exemplo de doença caracterizada pelo mau funcionamento na ação ou secreção de um hormônio é a diabetes mellitus e o hormônio é a insulina. Essa doença é bem conhecida e existem dois tipos: no tipo 1, o pâncreas não consegue produzir esse hormônio pois suas células são atacadas pelo próprio sistema imune da pessoa (é uma doença auto-imune); já no tipo 2, a insulina é produzida, mas não consegue agir, não há aquelas reações em cascata que falamos anteriormente.


Agora um hormônio dos artrópodes e que tem uma ação muito interessante é a ecdisona. Esse hormônio possui ação no processo da ecdise/muda, que é a troca do exoesqueleto do artrópode possibilitando seu aumento em tamanho, tendo sua produção e liberação influenciadas por fatores internos e também externos. Esses animais passam por vários processos de ecdise antes de atingir sua maturação sexual, mas como será que ele sabe que é dessa vez específica que ele vai se tornar apto a se reproduzir? São os hormônios que avisam! Por exemplo, os insetos possuem o hormônio juvenil, cuja função é fazer com que o animal mantenha suas características juvenis ao realizar a ecdise. Quando o inseto está pronto para a maturação sexual, esse hormônio passa a ser produzido em quantias beeem menores.


Incrível né?! Não tem como não se apaixonar por esses seres e seus recursos infinitos de controlar seu metabolismo e sobrevivência! Espero muito que tenham gostado e nos vemos no final do mês, continuem se cuidando. Até lá!


Isabella Aparecida Fonseca Bertoleti Estudante de Ciências Biológicas (Licenciatura) Colunista de Botânica (ZOOLOGIA X BOTÂNICA)

Barbara Mariah Chagas Teberga Estudante de Ciências Biológicas (Licenciatura) Colunista de Zoologia (ZOOLOGIA X BOTÂNICA)


Referências:

Taiz, L.; Zeiger, E. Fisiologia vegetal. 5. ed., Artmed, 2013. 918 p.

RUPPERT, Edward; BARNES, Robert: Zoologia dos Invertebrados. 6. ed. São Paulo: Roca, 1996.

http://www.qualibio.ufba.br/txt026.html

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