Evolução: contexto histórico

Oi biologuínhos, tudo certo? Voltamos com nossos posts universitários (que, infelizmente, estão terminando, tendo em vista que é meu último semestre na faculdade) e hoje vamos começar uma disciplina que aguardei ansiosamente o ano todo: Evolução.


A evolução biológica é presente e visível quando estudamos diversas áreas: na saúde podemos relacionar com a origem evolutiva de determinado vírus ou até mesmo buscar compreender como a resistência se dá, na agricultura conseguimos trabalhar com a evolução para entender o motivo pelo qual certas pragas são resistentes a alguns agrotóxicos ou pensar no melhoramento vegetal, por exemplo, para aumentar a produção, já na conservação podemos observar qual o efeito da caça, pesca, poluição e fragmentação florestal sob a evolução e, por fim, na evolução humana, utilizamos conceitos muito importantes para buscar entender como o homem evoluiu tanto fisicamente, quanto socialmente.


O nosso post de hoje terá um foco mais histórico, como está explicito no título. Mas, oposto ao que muitos pensam, a história do pensamento evolutivo não é tedioso ou chato: é uma sequência incrível de cientistas que contribuíram para a teoria mais aceita hoje em dia.


Começaremos com Anaximandro (611-546 a.c.) que acreditava que todos os seres vieram da água, e inclusive que os seres humanos foram originados a partir dos peixes. Hoje, sabemos que é uma ideia incorreta, mas imaginem na época, sem nada antes ter sido descrito e sem toda a facilidade de acesso à informação que temos hoje em dia.


Depois, tivemos Empédocles (490-430 a.c.) que afirmava a existência de um planeta primitivo, o qual continha partes do corpo aleatórias espalhadas e que, com o movimento das mesmas, as partes se conectavam até formarem um ser funcional (imagine uma pé humano rodando pelo planeta Terra até encontrar uma perna humana para se ligar e formar um ser funcional). Um ponto interessante dessa teoria que sabemos ser totalmente improvável, é que ela aceitava que, se fossem formados seres não funcionais, os mesmos seriam extintos.


Avançando um pouco na história, temos um nome conhecido: Platão (429-347 a.c.). Ele defendia sua teoria de que os seres vivos são sombras (imperfeitas, cada variação sendo vista como um acidente) de uma essência (que é perfeita) que existe em uma outra dimensão. Em seguida, Aristóteles (384-322 a.c.) lançou sua ideia, que inclusive foi adotada posteriormente pelo cristianismo, de que os seres vivos apresentam propriedades físicas que se desenvolvem em uma escala natural, levando em consideração conceitos religiosos como "céu", "inferno", adotando o fixismo e não aceitando a extinção de uma espécie.


Bom, nesse momento temos um avanço enorme no tempo: nos transportamos para o momento pós iluminismo que acabou trazendo a razão e a ciência de forma mais presente. Foi nesse momento que Karl von Linné produziu o sistema de classificação dos seres vivos (nomenclatura) que inclusive usamos até nos dias atuais.


Thomas Malthus, um nome muito importante para nós, em um trabalho concluiu que o aumento da população requer uma maior tecnologia na agricultura, para que sejam produzidos mais alimentos, e na medicina, para que os seres sejam saudáveis, mas que não é isso que vemos (inclusive nos dias atuais), logo temos que os mais fortes e saudáveis sobrevivem.


Agora vamos falar de um dos cientistas mais citados, inclusive por Darwin, quando o assunto é evolução: Lamarck. Acreditando na geração espontânea, Lamarck, o pai da evolução, propôs duas teorias: a Lei do Uso e Desuso (quanto mais você usa um órgão, mais ele se desenvolve, quanto menos, mais ele atrofia) e a Lei da Herança dos Caracteres Adquiridos (essas características que foram desenvolvidas ou atrofiadas). Hoje em dia sabemos que a teoria dele não está correta e conseguimos comprovar isso por um exemplo bem básico e presente em nosso cotidiano: quanto mais ficamos velhos, mais usamos nossa visão, certo? Se usamos muito, segundo Lamarck, nossa visão deveria se desenvolver, sendo que não é isso que percebemos: ao longo dos anos, cada vez mais os idosos enfrentam problemas oftalmológicos. A teoria de Lamarck foi derrubada por um experimento realizado por August Weissmann que provou que esses caracteres adquiridos, isto é, aqueles que não estavam presentes no material genético, não eram passados a diante. Ele conseguiu esses resultados fazendo testes com ratos, sendo que em um dos casos, ele cruzou dois ratos que tinham o rabo cortado (que o próprio cientista havia cortado) e todos os filhotes vieram com o rabo normal.


Chegamos no aclamado Charles Darwin, considerado a voz da evolução (e vocês já vão entender o motivo). Nascido em 1809 na Inglaterra, Darwin sempre foi fascinado por besouros, porém, numa época extremamente conservadora, principalmente com a pressão que seu pai fazia, ele inicialmente cursou medicina (mas não concluiu) e em seguida começou o curso de teologia, momento em que conhece o professor de botânica Henslau, que justamente foi quem indicou Darwin para a viagem no Beagle que mudaria não somente a vida de Charles, como também toda a ciência. Após algumas dificuldades, Darwin embarcou para sua aventura, fazendo paradas em diversos lugares incríveis e com as mais diversas variedades de espécies.


Cada vez mais ele acreditava na transmutação (o que conhecemos hoje como transformismo) mas isso apresentava uma ameaça para sua vida, tendo em vista que ia contra os princípios da sociedade conservadora da época e também contra a religião cristã que ele seguia. Após a viagem, Darwin se casou com uma mulher extremamente religiosa e isso foi mais um ponto que diariamente pesava em sua mente: ele não queria chatear a esposa publicando um livro que ia contra suas crenças. Mas após algumas intercorrências em sua vida, Darwin recebe uma carta de Alfred Russel Wallace, um homem que ao saber das pesquisas e experiências de Darwin com tantos lugares e espécies, resolveu escrever um pouco sobre o que ele acreditava ser a evolução. Nesse momento, Darwin que já estava há tempos com sua teoria pronta e guardada na gaveta, decide publicar sua teoria, tendo em vista que Wallace estava chegando nas mesmas conclusões que ele. Assim, os dois apresentaram uma palestra juntos e em 1859 Darwin publica "A Origem das Espécies.".


Em sua obra, ele defende a variação das espécies, explica que a herança é herdável, concluiu que a competição seleciona a variação que mais se adapta ao meio (conceito de Seleção Natural). As ideias de Darwin só começaram a ser consideradas cerca de 10 anos depois da publicação e ainda é considerada, pela ciência, a teoria mais válida sobre como ocorre o processo da evolução biológica.





Referências:

• Aulas do Professor Julio Cesar Voltolini na disciplina de Evolução - Universidade de Taubaté;

FUTUYAMA, Douglas. A Origem e Impacto do Pensamento Evolutivo. In: FUTUYAMA, Douglas. Biologia Evolutiva. 2. ed. Brasil: Funpec, 2009. Cap. 1. p. 1-18.

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